quarta-feira, 4 de abril de 2012

Licenciar ou não licenciar? that's the question...

Surpreendentemente não foi com espanto que tive conhecimento desta notícia publicada no dia 3/04/2012 no site da TVI 24 que, de forma crua e praticamente isento de escrúpulos, evidência, entre outras coisas uma das razões do alto desemprego jovem.

Licenciados têm «perfil de funcionário» e «não servem para nada»

Entre as várias conclusões retiradas deste seminário está uma séria acusação aos sucessivos governos premiando, de uma forma evidente, a construção de infraestruturas em detrimento da criação de competências. No outro extremo estão os estudantes que, segundo José António Salcedo, concluem a sua Licenciatura com reduzidas capacidades de autonomia. Evidencia ainda que "Traçando o perfil que considera ideal do aluno recém-licenciado, defende que tem de «ser capaz de pensar criticamente, isto é, distinguir o trigo do joio, digerir com inteligência a informação do mundo que o rodeia e ser capaz de chegar às suas próprias conclusões com inteligência»." Alem disso ainda refere que o aluno deve "ser capaz de atuar com criatividade em ações concretas, aplicando aquilo que aprendeu»."

Dando a conhecer agora o meu ponto de vista a culpa, pode até ser em parte dos sucessivos governos mas temos de ter em atenção dois intervenientes  importantes, para não dizer essenciais, deste processo. Falo do em primeiro lugar dos alunos que no meu ver têm boa parte da culpa. É frequente encontrar ao longo dos corredores pessoas que levam as suas Licenciaturas com uma ligeireza tal que me levam a questionar as suas capacidades. Não quero deste modo discriminar ninguém nem apontar o dedo a quem quer que seja mas acho que grande parte desta falta de capacidades que torna os licenciados com "perfil de funcionários" vem, por consequência, do modo como os próprios encaram a sua formação.

Nesta tríade também estão, com a sua parte de culpa, os docentes que muitas das vezes não incentivam nem elevam o grau de dificuldade e de exigência para com os alunos, premiando a repetição, o facilitismo e um à vontade que torna um curso num simples passear de folhas e computadores.

Mais uma vez reforço que não estou nem quero apontar dedos a ninguém mas existem um conjunto de evidências que tornam a geração mais qualificada de sempre em meros funcionários. Tudo isto leva a que hoje seja relativamente normal ser-se licenciado pois somos considerados funcionários mas com mais estudos, mais conhecimentos e somente isso! Penso que só iremos ser valorizados como licenciados quando realmente for valorizado a dedicação, o talento e o esforço, onde a exigência seja palavra de ordem, tanto de professores para alunos como de alunos para professores.

Só assim seremos capazes de gerar licenciados com competências reais!

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